Desaboio

Um aboio torto

Paulo Nunes

Este trabalho poético-musical descreve a ocupação do cerrado mineiro pelo avanço da pecuária e da agricultura, processo que forjou grande parte do atual território nacional. Chegaram naqueles sertões gado e homem, através do aboio, cantiga monótona entoada pelo vaqueiro para o controle e orientação da boiada e quiçá para a sua própria orientação. E homem e gado formaram quase que uma só civilização, uma só cultura, amarrada a palha de milho, couro de boi e corda de viola. Mas estes tempos heroicos e míticos são passados, pouco restando deles, e vive-se, de umas décadas para cá, o processo de acelerada urbanização deste vasto território e de violenta industrialização das cidades e do campo, feita de forma irracional e destrutiva. No entanto, não se trata, aqui, de dar ao Demo o nome Progresso, mas apontar o fato de que o sertão/cerrado mineiro foi quase que destruído na sua totalidade — e esta onda de destruição continua avançando para o oeste e o norte do país, e para dentro das pessoas; e o fato de que grande parte da população deste território foi alijada das novas riquezas e, o que é pior, espoliada de sua antiga e rica cultura. Desaboio, um neologismo, é justamente a tentativa de descrever criticamente o momento em que esta cultura se perde do gado, do contato da natureza, do seu tempo e de si própria e assim, num aboio torto, segue numa falsa direção.

Ouça as cançoes

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22 opiniões sobre “Desaboio”

  1. Núbia Ribas disse:

    Olá Saulo e Paulo,
    Conheci o trabalho de vocês através do Edelberto, e desde então tem sido trilha sonora de momentos e viagens que ficarão guardados para sempre no coração. Linda iniciativa de criar um blog tão bonito.
    Espero poder conhecê-los em breve, estamos com a casa aberta para recebê-los aqui em Campo Grande. Um beijo carinhoso, Núbia.

  2. Nuno Nicolau disse:

    Espero muito Sucesso com esse seu trabalho saulo,e quem sabe um dia ser divulgado cá na Ilha da Madeira…Grande Abraço Irmão…

  3. Cabra! Muito boa essa iniciativa.

    Gleidson.

  4. Parabéns Saulo, estamos aqui para o que for preciso.

    Boa Sorte e feliz 2012.

    Mara Porto

  5. Daniel Alves - Ituiutaba disse:

    Olha Saulo, conneci algumas letras suas na época do Conservatório Estadual de Música de Ituiutaba, onde vc era meu amigo e instrutor de violão nas minhas horas vagas, eram sambas e MPBs muito bem elaborados, mas, vc se superou criando essas maravilhas para a Viola brasileira. Vcs estão de parabéns!

    Sucesso meu querido.

    Paz e luz.

  6. Alexia Rosa disse:

    bom dia!!!!! adorei a idéia de um blog, que felicidade em ver o quanto vc tem contribuido para cultura musical mineira……sinto orgulho de ter conhecido vc
    e tenho certeza do quanto a música é fundamental na sua vida…..
    desejo a vc e o Paulo td de bom neste ano de 2012…..
    bjs!!
    Alexia Rosa

  7. Saulão, muito bom o blog, bem criativo, gostei.
    Fica aqui o meu abraço
    Batman

  8. Wagner Dias disse:

    Sorte minha ter visto e escutado o Simprão, o Paulo Nunes e o Vitor de São José!
    Violeiro do norte é a minha predileta ainda, mas, certamente, poderá perder o posto, após a audição das muitas outras que segredam escondidas aí com esses uns …
    Grande abraço do Wagner Dias

  9. Comovente, delicado, profundo e certeiro. Valeu Saulito e agregados. Vida longa pra esse tesouro revelado. Saudades boas.
    No afeto e torcida geral da cativa, Pedro Ribeiro.

  10. Maria Oneida disse:

    Saulo adorei as letras e os arranjos das músicas de vocês. “Violeiro do Norte” então me tocou profundamente, o dueto Dami com Chris ficou perfeito, deu uma sonoridade linda. Ha, adorei também a narrativa do projeto que o Paulo Nunes escreveu. A natureza é vida. Parabéns.

  11. Caríssimos amigos: Saulito e Paulão…

    Belíssimo o texto que discute e expõe de maneira despojada, mas engajada, um Desaboio inquietante, ou seja, um trabalho de anos que sempre me pareceu pretensiosamente elevado. Riquíssimo.
    (A leitura e o contato com o projeto me desperta emoções superlativas, por isso no superlativo insisto…)
    Enfim, teceria por horas minha grande admiração pela obra e por seus autores, inevitavelmente, mas soaria um tanto redundante. Desaboio e grandeza me parecem uma coisa só.

    Um beijo longo e sertanejo, aos meus queridos conterrâneos das Gerais. Honrosos artistas!

    • Rubens Rodrigues disse:

      alo gostei imenso da ideia..parabens.. estou ligado.

      gostei imenso da ideia da obra parabens.graciliano o escritor pensava assim…

  12. Gustavo Lima disse:

    Blog muito bonito e delicado, Saulo. Foi-me apresentado pelo amigo Pedro Ribeiro. Parabéns pelas canções, pelos lindos arranjos de viola, pelos textos explicativos e, acima de tudo, pelo propósito.
    Continuarei ouvindo a trilha musical do cerrado…
    Abraços e muita luz na sua trilha.
    Gustavo Lima.

  13. wender sergio disse:

    Musicalidade, requinte e sonoridade, docilidade e dramaticidade nos arranjos, associaçao de timbres perfeita, harmonia musica e a letra sincronia e movimento do texto das cançoes, uma viagem sonora nas trilhas, linda epopéia musical, difiçil de se ver nos dias de hoje. grande Saulo parabéns.
    Wender Sergio

  14. Jeanne Rocha disse:

    Parabens, Saulo e equipe. Um trabalho muito rico, com certeza acrescentará à vida musical brasileira. Quando fizer o lançamento, estarei la prestigiando voces. Um abraço e muita saudade de nosso tempo de graduação na UFU.

  15. Edgar Franco disse:

    Aguardando ansioso pelo CD!
    Abraço pós-humanista

  16. Boa dia, Saulo…
    Demorei a conseguir ver seu blog, mas valeu a pena! Você fez e faz um lindo trabalho, e por aqui pude ter uma ideia melhor do seu mundo particular que, diga-se de passagem, é fascinante. Sinto-me orgulhosa por conhecê-lo e por privar da sua amizade. Um grande abraço. Parabéns.

  17. CLAUDIA MARIA FLEMING MULERO disse:

    SAULO,
    QUE TRABALHO MAGNÍFICO, PRECISAMOS DIVULGÁ-LO.
    PARABÉNS!
    UM BANHO DE CULTURA.
    SUCESSO!!!!!!

  18. Paulo & Saulo:
    Parabéns e adiante !
    Abraços cerrados,
    J.A.Prata

  19. Saulín,

    Se tivesse que escolher uma palavra para definir a virtude desse trabalho, eu escolheria a palavra fidelidade. Fidelidade ao mundo da pequena cidade, com roda de amigos, boa comida, viola e poesia. Maravilhoso disco que não me canso de escutar. Parabéns a você e ao Paulo Nunes.

  20. Gustavo Garcia disse:

    Música e poesia da maior qualidade! Abraço, meus caros, e obrigado por existirem!

  21. Luciana Moura disse:

    Querido Saulo
    Primeiramente parabéns pela iniciativa do Projeto Poético-Musical que como você mesmo menciona surgiu de uma ideia simples de fazer um disco com suas composições e do Paulo Nunes, mas ganhou uma dimensão requintada de reconhecimento particular e coletivo de nossas raízes, numa tentativa de incorporação e não esquecimento.
    Quando o Desaboio caiu em minhas mãos me encantei de cara com sua estética, seu formato, sua disposição e organização, afinal estavam ali reunidas duas expressões artísticas que particularmente aprecio com a alma (música e poesia) e assim cada palavra, cada verso traduzido e refinado pela alma iluminada do querido poeta Paulo Nunes ganharam ainda mais expressividade aliadas a minha total entrega e escuta das interpretações, melodias e arranjos tão perfeitamente apresentados por você e sua equipe.
    Mais que um trabalho de alerta da transformação do Cerrado Mineiro e consequente perda cultural, Desaboio é o resgate de cada ser humano por suas raízes, uma procura pelo entendimento e equilíbrio, um olhar atento à simplicidade, provocou em mim reações diversas e profundas escondidas em algum canto da memória, de uma saudade de algo que todo mundo já foi e gostaria de ser, um desabafo de alguém que não se encaixa num momento em que a superficialidade infelizmente predomina, uma aceitação, reconhecimento de si próprio e da bagagem que trazemos.
    Só posso dizer que me reencontrei ali e me apaixonei pela delicadeza de como o sentimento foi traduzido.
    Obrigada por esse presente, minha alma acolheu com muita alegria.
    Grande abraço
    Luciana Moura

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